O artista chegou a Brasília na madrugada do dia 26 de março e sua primeira impressão da cidade "(...) é que está afundada nas nuvens, em um giro de 360º o horizonte está por toda parte". Seus primeiros dias foram de reconhecimento do espaço e aprendizado de como é viver em uma cidade inventada para ser lógica e pragmática. As saídas com os amigos de Daniela Bezerra eram necessariamente de carro devido às cruéis distâncias geográficas e à insuficiência do transporte público, o que acarretava para ele grande dificuldade em se locomover independentemente.
"Eu sentia uma grande dificuldade de improvisar alguma interferência naquela cidade de amplos espaços vazios, sentia que qualquer coisa feita seria engolida pelo lugar e se tornaria um ponto quase invisível. Comecei a reparar que o plano-piloto não era tudo, Brasília não era só aquilo e as cidades satélites começaram a me chamar a atenção."
Daniela seguiu à risca uma das propostas da curadoria de inserir o artista visitante em seu circuito artístico. Pontogor participou de reuniões, almoços e eventos de artistas brasilienses, formando uma rede de contatos e futuras parcerias. Em um desses encontros, numa chácara pertencente à família da artista Marta Mencarini, Pontogor encontrou o local para sua intervenção: uma casa abandonada, cuja construção estava por finalizar, sem janelas ou portas e infestada de insetos e pulgas.
Pontogor elaborou todo um sistema elétrico para a casa com uma grande quantidade de interruptores, lâmpadas de alta potência e fios de grandes dimensões. Da sala central o artista controlava o acender e apagar de todos os cômodos da casa a partir de um objeto – como um painel de controle – que ele intitulou de Piano (quinze interruptores de luz presos em um pedaço de madeira).
"Passei por volta de vinte minutos compondo uma música visual que podia ser vista pelas casas do entorno. A ação foi registrada em vídeo e fotografia. O trabalho foi realizado na noite do dia 5 de março, com a ajuda fundamental de Daniela Bezerra e Marta Mencarini."
Uma curiosidade sobre a intervenção foi que a tal casa estava literalmente tomada por pulgas e insetos, como uma praga em um pequeno universo. Moradores da área advertiram-no para que não entrasse, pois as conseqüências poderiam ser desastrosas.
Pontogor realizou a ação totalmente envolto e devidamente embalado em plástico de conservação de alimentos, quase como num figurino cibernético para seu concerto visual. A infestação do ambiente era tamanha que dois dias depois da realização do trabalho ele ainda era surpreendido por um "visitante" escondido em sua pele ou entre suas roupas.
Para ler relato do artista: http://relatos4territorios.blogspot.com/2008/06/pontogor.html
Para ver fotos: http://picasaweb.google.com/4territorios/Pontogor#
Para ver o vídeo: http://br.youtube.com/watch?v=zjHS8-e-82c&feature=related
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